Todas as vezes que tentei cultivar algum vínculo com você me frustrei. E sempre cheguei à mesma decepção, vendo sua oratória se desfazer na prática. Você tem o dom de fazer suas palavras convincentes, mas a sua ausência de atitudes sempre faz seu belo castelo de eloquência desmoronar. Insisti muito em acreditar me você. No entanto, nos momentos em que mais precisei da sua empatia, de diálogo e compreensão, você me ignorou e fez o que melhor sabe fazer: se ausentar.
Cheguei à conclusão de que você só me procura pela necessidade de massagear o seu ego, pois percebe que ainda mexe comigo e me atinge com seus belos discursos. Não é que você goste de mim, você gosta do que sente comigo... Isso é um exercício cômodo e prazeroso pra você. Eu sou seu meio, mas não sou seu fim. Acho que eu sempre servi só pra isso: massagear o seu ego, fazer você pensar o quão bom era. Mas me enxergar mesmo, querer saber quem eu realmente sou e ter um contato verdadeiro e genuíno, me aceitando além da imagem ou utilidade que te convém, com um afeto que se sobrepusesse às nossas diferenças, nunca aconteceu de fato. Seu gostar descompromissado e confortável nunca foi o suficiente pra levá-lo a fazer esse esforço.
Seja romance ou amizade, você deu provas de que com você não é possível almejar ou cultivar profundidade.
O que é leve pra você, é pouco e superficial para mim. Enfim entendi que momentos intensos não pressupõem uma relação profunda. Não é só jogar a semente e querer o fruto. É preciso preparar com carinho o solo para recebê-la. É preciso dar a ela abrigo, alimento, a devida porção de água, sol e sombra... Quem quer cultivar algo profundo e preza pela qualidade do fruto se esmera, não descuida. Tem sempre um olhar atento para sua plantação.
Ah... quantas provas você me deu de que não é um bom plantador. Você só queria a sombra e a relva. Você só queria suar de prazer, sem se dar ao trabalho de arar, plantar, cuidar. Você nunca quis cultivar, só desfrutar.
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