terça-feira, 29 de outubro de 2019

O que toca a alma é sempre mais duradouro do que o que toca o corpo. Ou talvez seja melhor dizer que o corpo não dá conta do que a alma sente. Nem o corpo, nem o que podemos pensar ou dizer...
Esse corpo que não consegue nos conter e no qual também não cabe a alma do outro...
Sentimos nossas superfícies. Mas o que sabemos dos nossos sentimentos?
Há tantas barreiras não visíveis: dúvidas, medos, complexos, julgamentos equivocados...
Tantas lacunas, tantos lugares inacessíveis dentro de nós.
Nossos desejos são armadilhas, o que nos atrai nos trai.
Os corpos se despem, mas as pessoas não se mostram.
Vivemos intensidades fugazes, simulacros, rascunhos que nunca acabamos e descartamos.
Usamos o outro como fuga, assim como usamos as coisas.
E só conseguimos uma saciedade passageira.

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Tenho me libertado da necessidade de agradar aos outros. Talvez por querer tanto ser amada eu fazia de tudo e relevava tudo para obter aprovação, pelo "prêmio" de ser "a escolhida", sem avaliar com cautela quem estava me escolhendo. E por conta disso embarquei em tanta canoa furada... De tanto naufragar, enfim aprendi que também posso escolher e assim tirei um peso da minha alma. Depois de muitos anos me sinto mais leve. Não me preocupo mais em ser aquilo que agrada aos outros e, ao conhecer alguém, presto mais atenção no que ele fala dos outros do que de si mesmo. A maturidade me fez perceber que ao falarem de alguém as pessoas nos dizem muito mais sobre elas mesmas. Hoje isso serve de parâmetro para eu me preservar e escolher a pessoa com quem vou me relacionar.


Atemporal

Gostaria de ter te conhecido em outro momento  De diminuir entre nós as diferenças do tempo Mas certamente se nos encontrássemos no passado ...