quarta-feira, 22 de abril de 2020

Vagante


Cultura de amor

Todas as vezes que tentei cultivar algum vínculo com você me frustrei. E sempre cheguei à mesma decepção, vendo sua oratória se desfazer na prática. Você tem o dom de fazer suas palavras convincentes, mas a sua ausência de atitudes sempre faz seu belo castelo de eloquência desmoronar. Insisti muito em acreditar me você. No entanto, nos momentos em que mais precisei da sua empatia, de diálogo e compreensão, você me ignorou e fez o que melhor sabe fazer: se ausentar.
Cheguei à conclusão de que você só me procura pela necessidade de massagear o seu ego, pois percebe que ainda mexe comigo e me atinge com seus belos discursos. Não é que você goste de mim, você gosta do que sente comigo... Isso é um exercício cômodo e prazeroso pra você. Eu sou seu meio, mas não sou seu fim. Acho que eu sempre servi só pra isso: massagear o seu ego, fazer você pensar o quão bom era. Mas me enxergar mesmo, querer saber quem eu realmente sou e ter um contato verdadeiro e genuíno, me aceitando além da imagem ou utilidade que te convém, com um afeto que se sobrepusesse às nossas diferenças, nunca aconteceu de fato. Seu gostar descompromissado e confortável nunca foi o suficiente pra levá-lo a fazer esse esforço.
Seja romance ou amizade, você deu provas de que com você não é possível almejar ou cultivar profundidade.
O que é leve pra você, é pouco e superficial para mim. Enfim entendi que momentos intensos não pressupõem uma relação profunda. Não é só jogar a semente e querer o fruto. É preciso preparar com carinho o solo para recebê-la. É preciso dar a ela abrigo, alimento, a devida porção de água, sol e sombra... Quem quer cultivar algo profundo e preza pela qualidade do fruto se esmera, não descuida. Tem sempre um olhar atento para sua plantação.
Ah... quantas provas você me deu de que não é um bom plantador. Você só queria a sombra e a relva. Você só queria suar de prazer, sem se dar ao trabalho de arar, plantar, cuidar. Você nunca quis cultivar, só desfrutar.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

Tão longe e tão perto

Eu sei que o que sentimos é real, cada um sente a seu modo, cada um tem seus motivos para recordar e sentir falta. Mas sempre há um entrave na nossa comunicação... Entre nós não flui... É forte, mas juntos não fluímos, alguma coisa fica obstruída pelo caminho, entope, trava... A gente junto não flui... Se rompe. Só podemos fluir em caminhos paralelos. Por isso eu fico cá, conservo meu carinho, rezo por ti, te quero bem. E espero que que você, aí no seu canto, também me queira bem e não pense que não te quero bem. De longe lido melhor com o que sinto por você... De perto fico confusa...
Só pode ser assim... perto à distância, só posso te ter na minha lembrança. Já que eu não consigo virar a página, fecho o livro.

Atemporal

Gostaria de ter te conhecido em outro momento  De diminuir entre nós as diferenças do tempo Mas certamente se nos encontrássemos no passado ...