domingo, 5 de janeiro de 2020

Partir

Como é difícil ir embora... Mas também era difícil ficar, esperar, lidar com as ausências, lacunas, distâncias. Eu sabia que de qualquer jeito ia doer. Só tinha que escolher qual dor eu iria carregar. Há esperanças que nos torturam, que nos fazem reféns. Por isso optei pela dor inexorável do fim. Dói... mas pelo menos me liberto, pelo menos não alimento meu algoz.
Arranco de mim essa esperança cansada. Essa ilusão que teve dias breves de doçura e depois se converteu em meses de amargura. Dói... mas prefiro essa dor concreta, exata, fatídica do que a dor de acreditar e esperar e me frustrar.

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