terça-feira, 29 de outubro de 2019

O que toca a alma é sempre mais duradouro do que o que toca o corpo. Ou talvez seja melhor dizer que o corpo não dá conta do que a alma sente. Nem o corpo, nem o que podemos pensar ou dizer...
Esse corpo que não consegue nos conter e no qual também não cabe a alma do outro...
Sentimos nossas superfícies. Mas o que sabemos dos nossos sentimentos?
Há tantas barreiras não visíveis: dúvidas, medos, complexos, julgamentos equivocados...
Tantas lacunas, tantos lugares inacessíveis dentro de nós.
Nossos desejos são armadilhas, o que nos atrai nos trai.
Os corpos se despem, mas as pessoas não se mostram.
Vivemos intensidades fugazes, simulacros, rascunhos que nunca acabamos e descartamos.
Usamos o outro como fuga, assim como usamos as coisas.
E só conseguimos uma saciedade passageira.

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