Eu me ausento demais de mim quando estou gostando de alguém. Aquilo que tenho procurado como remédio para minhas angústias acaba se tornando mais um causador delas. É tempo de voltar pra mim e reconfigurar o que sinto por vc. Estranho usar esse termo... Parece que estou falando de uma máquina... Com o passar do tempo, com os acontecidos e não acontecidos, nossa relação que a princípio parecia de duas pessoas enamoradas foi perdendo o brilho, o viço, o calor... Vc foi ficando distante... Eu tentei te buscar, te trazer de volta, mas não consegui. O teor de nossa comunicação mudou. Ainda existe carinho, mas a paixão de sua parte parece ter morrido... E da minha... bem... ela tentou sofregamente resistir, mas tem sucumbido de sede. Falta o adubo dos beijos e dos toques quentes, falta a luz do olhar apaixonado. Ainda gosto de ti, mas não quero me apegar uma ilusão disfarçada de esperança, não quero mais me frustrar. Reconfigurar é a palavra que uso tentando racionalizar o que sinto pra não me pegar tentando nos levar de volta ao que foi antes. Aquele moço que conheci partiu sem aviso prévio, pois nem ele sabia que partiria, que algo o arrancaria de si mesmo. Eu não quero mais me pegar fazendo ou dizendo o que não faz mais sentido pra vc. Não quero ficar falando e ouvir apenas o eco de minha própria voz de volta. Estou procurando um jeito de drenar aquele sentimento antigo e manter o carinho, o cuidado, a amizade. Estou tentando conservar o que há de bom sem que isso me faça mal. Reconfigurar, reformatar, são as palavras que me vêm à cabeça. São conceitos que parecem frios, desumanos, mas representam o esforço que estou fazendo para mudar as coisas dentro de mim, para domar meus sentimentos. No mais sei o tempo vai assentar as coisas. O tempo vai revelando o que fica, o que vai, o que é e o que não é mais. Não porque ele queira nos ajudar, pois ele é indiferente a nossos desejos e inquietudes. Simplesmente é esse o inexorável efeito do tempo.
domingo, 27 de maio de 2018
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